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17/07/2017

Uma Resenha Pontuada sobre: Clube da Luta - Chuck Palahniuk

                  Achei que eu tinha acabado com minhas críticas grandes, mas isso não pode acontecer quando se trata de nada mais fenomenal e clássico do que "Clube da Luta" ou Fight Club escrito pelo Chuck Palahniuk.

QUE CAR*LHO FOI ESSE?

Leve a próxima frase ao pé a letra: na terceira página (11) de história eu soube que esse livro é diferente. É muito complicado falar sobre Clube da Luta, então irei dividir por partes, okay? Um pouco sobre o livro, Narrativa, Trama, Personagens, Escrita do Autor e por fim, as minhas considerações finais. Pega um chocolate quente (ou um sorvete dependendo do tempo ai na sua cidade) e vem comigo.

R E S U M Ã O

                  Clube da Luta foi publicado em 1996 mano e alguns anos depois foi lançado um filme com o Brad Pitt. Estamos no segundo semestre de 2017 e 21 anos depois ainda falamos desse livro e todo mundo que lê fica extasiado. Não é mais necessário uma resenha para você decidir ler essa obra.

Clube da Luta é um livro que trás em sua narrativa personagens normais como qualquer um que podemos encontrar em uma caminhada na rua e com problemas ainda mais comum na nossa sociedade. Não apenas na atual, saco? Mas desde os primórdios (talvez) dos tempos. Chuck trás ao centro principal o Tyler Durden, um Cara Que Não Sabemos O Nome (e que só vim perceber isso lá para o fim do livro) e a Marla Singer. Existe alguns outros personagens secundários, mas esses são os três pontos extremamente principais que o escritor usa para desenvolver a trama e tudo mais. É por ai onde tudo se inicia. Temos que ir aos poucos, está bem? Não quero estragar o mistério e magia desse livro, então relaxem que não é falta de informação.


N A R R A T I V A  &  T R A M A

                  Essa parte com certeza é a mais curiosa e diferente e foi por isso que eu disse que o Chuck foi diferentão escrevendo CL. A primeira página de história já se inicia com o personagem principal tendo uma arma apontada pelo (descrito como) melhor amigo, Tyler Durden para sí. Os dois estão no alto de um prédio e o Tyler está com a arma enfiada na boca do amigo/narrador e falando normalmente e calmamente que os dois vão morrer - como se fosse um tipo de update maravilhoso que se faz na vida, sacó?

Porém, o personagem Que Não Sabemos o Nome (vamos chamá-lo de Seis nessa resenha, okay?) começa a ensinar para nós coisas do tipo: como construir várias bombas caseiras diferentes e outros momentos importantes para a narrativa do que aconteceu antes deles estarem ali. Isso não é chato, pelo contrário, é essencial e acontece a todo o tempo no livro. Fiquei um pouco perdida nos primeiros capítulos, mas é normal, porque o tempo não é linear, entende? Em um capítulo é presente e no outro é um passado-presente, no capítulo seguinte já é um futuro-passado, é algo bem crazy e fantástico! Não faz o leitor se perder, na verdade deixa-o curioso sobre quem está narrando e que espaço-tempo é aquele. A escrita do Palahniuk traz uns toques de mistério, acostume-se.

"Em vez de fazer o personagem caminhar de uma cena para a outra em uma história, tinha que haver um jeito de simplesmente... Cortar, cortar e cortar. De pular. De uma cena para a outra. E sem perder o leitor. De mostrar cada aspecto da trama, mas apenas o cerne de cada aspecto. O momento central. Depois outro momento central. Depois outro." — Chuck Palahniuk

Como lê-mos acima, o escritor não fez uma narrativa de um minutos após o outro, mas apenas as partes importantes. Talvez CL tenha durado seis meses ou talvez um ano, não se sabe (pelo menos eu não), isso porque a forma criativa e inteligente do Palahniuk, selecionou apenas cada momento central da história que é necessário para que nós entendamos e que envolve o Seis, Tyler Durden e a Marla Singer.


                  Pela forma que falei sobre como o livro se incia parece que já começa com um drama ou desespero, mas não. Não tem drama cara, não tem aquele desespero que lemos em livros como Proibido ou o livro mais agonizante de HP. Isso torna a obra ainda mais rica, porque os personagens narram tudo, inclusive as situações mais estranhas, de um jeito tão normal e... normal. É como andar em cacos de vidro sem se preocupar que são cacos de vidro.

O Chuck falou sobre isso também. Ele queria escrever algo com sentimentos e um pouco de crítica, mas sem ser tão meloso: "Ele teria que dar aos homens uma estrutura, papéis, as regras de um jogo, mas não de um jeito sentimental e tocante." E ele conseguiu cara. Clube da Luta tem um pouco de romance, perda de empregos, as desgraças que acontecem, mas sem aquela jorrada de sentimentalismo e chororo.

Os personagens vão narrando os acontecimentos parecendo que estão apenas contando uma história. Não sei como eles conseguem serem tão indiferentes e presentes ao mesmo tempo. O leitor vai se afundando na história sem saber se é pela escrita, pela curiosidade e quando percebe não larga mais o livro, e então ele acaba e eu fiquei tipo: Pera. Eu preciso saber mais! Eu... Que aconteceu aqui cara? Sabe, eu preciso ler uma resenha em que alguém tenha encontrado palavras para explicar o que é o Clube da Luta, porque não dá cara. Só encontrei duas palavras até agora: Louco e Sensacional.


P E R S O N A G E N S

                  As características de cada personagem vão sendo reveladas aos poucos conforme o Seis vai narrando as várias situações em vários ambientes e cidades diferentes. Ficamos cientes que existe um Tyler e uma Marla já na primeira página. Assim que recebi algumas informações sobre a situação e o ambientante, minhas primeiras impressões sobre o Tyler foi: Ele deve ser aquele amigo louco, que no ensino médio faltava as aulas, mas se dava bem nas provas; que acha que a vida é muito importante para desperdiçar com coisas fúteis e que provavelmente o Seis vivia tentando por ele na linha. Bom, a ultima impressão estava um tanto errada.

A Marla Singer foi uma personagem que levei algumas viradas de páginas para ter uma boa ideia sobre ela. Mas ela faz a linha mulher cheia dos problemas e que pensa e se preocupa demais no grande espaço que é a sua mente. Só que, por fora você enxerga algo como uma mulher com um cigarro entre os lábios, roupas exageradas e um olhar de "não estou interessada." Mas notei que quando se trata do Personagem Que Não Sabemos o Nome, ou Seis como o apelidei, ela passa a ser mais extrovertida. Ela é a mulher que quer morrer, mas a morte não quer vê-la ainda.

O Seis (Personagem Que Não sabemos o Nome) é um dos narradores (acredito que não seja só ele) e é tipo o personagem central, sacó? O cara tem um ótimo emprego, um chefe meio sei lá, um apartamento bacana e moveis fantásticos. Na verdade ele parece ter um fetiche por moveis. O cara parece ter uma vida fantástica, mas justamente por isso ele vive chateado/entediado. Mas, eu tenho certeza que ele não era feliz. O cara tinha tudo de material e por isso ele achava que estava realizado, mas ele estava pobre espiritualmente.

Isso é toda a informação que posso dar a você. Não posso te dizer se são personagens divertidos ou determinados e fortes. O Chuck apenas pegou três personagens e escreveu pontos centrais de uma história. É por isso que é complicado escrever sobre Clube da Luta, pois é uma obra diferente e é algo que você só vai entender se ler.


E S C R I T A   D O   A U T O R

                  Fascinada. Surpresa. Inspirada. Esperançosa. Foi assim que fiquei lendo Clube da Luta e mais uma vez eu não precisei chegar no meio do livro para perceber isso. Quantas vezes já não amamos a escrita de algum autor, seja ela por ser detalhada ou rápida? Porém, não foi nenhuma dessas coisas que me fez amar a escrita do Chuck Palahniuk em Clube da Luta.

Ele disse uma vez que Clube da Luta foi primeiro um conto de apenas sete páginas, hoje o livro possui 270! Eu não sei nomear a escrita dele, mas é algo cru, sabe? Chuck escreveu apenas as cenas centrais e importantes; muitas vezes parecia que os personagens estavam conversando conosco pela forma dos diálogos; a história não é muito linear, mas ele soube manipular tudo para que nós leitores não nos perdêssemos de uma cena para outra ou de um acontecimento para outro. Céus... nunca li uma escrita assim.

O livro foi publicado em 1996 e eu pude notar a diferença da escrita de um autor daquela época para um autor atual. Obviamente com o passar das edições algumas palavras mudaram e ficaram mais atuais para que pudêssemos entender. Porém, eu fiquei questionando-me: será que essa escrita tão crua, apressada e cheia de reflexão era natural naquela época?

      Talvez, nenhuma crítica que você veja vai te dar o que você quer saber sobre Clube da Luta, porque você não sabe que precisa desse livro até você está lendo ele. Clube da Luta trás os personagens mais simples e confusos, loucos e normais, que eu li. Eles têm uma vida e uma rotina, mas que o Chuck usou para implantar uma critica. Mas dessa vez a crítica não vai para alguém em especial, mas para TODOS NÓS! A questão é: você vai querer ver? Você vai admitir que está dentro desse grupo que é abordado em Clube a Luta?

Quando peguei esse livro achei que iria ler um romance entre em um cara bombado, uma mocinha e muita luta e reviravoltas... Não meus queridos Confidentes. O Clube da Luta citado aqui não se trata de socos e prêmios. Se trata dos motivos que te fazem querer estar lá dentro. É uma metáfora! Essa resenha pontuada sobre o lado material do livro ficou um pouco grande (como já era esperado), mas se quiser conferir a parte mais filosófica clica aqui e você vai ser redirecionado para lá. Mas... a regra numero um: você não fala sobre o clube da luta, okay?

CRÍTICA (QUASE FILOSÓFICA) SOBRE CLUBE DA LUTA


F I C H A  T É C N I C A
Título Original: Fight Club
Autor: Chuck Palahniuk
Editora: LeYa
Páginas: 272
Ano: 1996 / 2012
ISBN-10: 8580444497
Classificação: 5/5 +
(Favorito)
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