[RESENHA] Todos os Nossos Ontens

09:16:00

Foto: Jessie 📷 Livros & Um Segundo Mundo

S O B R E   O   L I V R O

         O livro é narrado pela Em e pela Marina. Acompanhamos Em descobrindo que precisa fugir da sua cela junto com o seu amigo e crush Finn (que também a crusha) para viajarem no tempo e retornarem ao passado para matar o Doutor, e impedir que ele construa a maquina do tempo e o planeta vire um caós, tornando-se um governo totalmente militar. Depois o capítulo é alternado e a Marina passa a narrar o seu dia a dia, contando sobre sua rotina com os seus pais que não lhe dão atenção, o seu vizinho e melhor amigo-ricasso James, por quem ela nutre um "amor" e o Abott, amigo do James e que ela não vai com a sua cara.

Existem alguns anos entre a Marina e a Em e o bacana da escrita simples da Cristin é que ela conseguiu explicar um pouco do que aconteceu com a Em dentro desse espaço-tempo pelo ponto de vista dela. Por exemplo o que ocorreu para que ela e o Finn chegassem onde eles estão hoje e o porquê deles estarem sendo torturados. Tudo como se a Em estivesse disfarçadamente conversando com o leitor. Então as duvidas que os leitores podem ter sobre o passado da Em (e o que já acontece no futuro da Marina) e do Finn vão se esclarecendo aos poucos. Porém, como toda viagem no tempo, existe sempre a possibilidades das coisas mudarem.

Nas primeiras páginas o leitor já está todo entusiasmado pensando qual a relação da Em com a Marina, amando o Finn, e principalmente, esperando o momento em que o seu coração irá saltar dos quarenta batimentos cardíacos para o cem com toda a ação, emoção e o que a sinopse promete. Mas deixa eu te dizer: isso não acontece.


R E S E N H A

         Como podem ver o livro é narrado por uma Em do futuro e uma Marina do passado-presente. Então tecnicamente muita coisa já mudou e aconteceu para que a Em tenha chegado onde ela chegou. Fica pairando um mistério no ar de quem seja o Doutor e qual a relação com os personagens do presente. Querendo ou não, o livro fica meio divido: galera-adolescente-do-presente e galera-jovem-do-futuro. Também nota-se que existe um romance entre a Marina pelo James e entre a Em e o ~maravilhoso~ Finn.

Pensando melhor agora, nas primeiras páginas no futuro é como está lendo um "começo" de uma distopia escrito pela Veronica Roth e ao pular para a narrativa da Marina é como estar lendo um romance escrito pela Paula Pimenta. Porém, se aproximando de um pouco além do meio do livro o enredo e os personagens, ao invés de melhorarem começam a despencar. A Em no inicio é forte e então começa a ficar toda animal irracional; o Finn é desvalorizado sendo que é um ótimo personagem; a Marina e o James nem se fala. Não têm evolução nenhuma.

A sinopse faz com que o leitor acredite que irá ler mais uma história do tipo 1984, Delírio ou Divergente, mas a narrativa continua caminhando em direção ao final, e o leitor, iludido que só ele, continua esperando toda a emoção e revolução, que não vem. A autora realmente tinha em mãos uma proposta magnifica para transformá-la no que a sinopse de Todos os Nossos Ontens promete, mas não.. não deu. Simplesmente, não deu. Acho que ela chegou lá pelo quarto capítulo e desistiu de "destruir o passado para salvar o seu futuro" e resolveu fazer a Em voltar ao passado para resolver questões amorosas. Acho que ela resolveu dar uma de Fazendo Meu Filme, a diferença é que a Fani pelo menos era correspondida.

Foto: Jessie 📷 Livros & Um Segundo Mundo

       Antes mesmo de chegar ao meio do livro percebi que a leitura foi desandando ~do que parecia ser~ o seu foco: sociedade, revolução, as paradas sobre salvar o mundo, e começou a se aprofundar em um romance. É como, por exemplo, você assisti a Dragon Ball Z e o Goku não virar Super Sayajim. Todos os Nossos Ontens é o tipo de livro digno de virar trilogia, de ter uma proposta que o ponha ao lado de outras distopias clássicas, mas se limitou a um romance adolescente que por sinal só vai gostar os leitores que curtem romance com meninas mau amadas, haha.

Eu estava lendo a Em e quando vi já tinha me apegado a ela e ao Finn. Torcendo pelos dois, admirando em como ela era forte e determinada e em como o Finn consegue ser presente, amigo e divertido. A escrita da autora também é bem leve — o que por sinal é essencial quando se está lendo sobre ago tão complicado como viagens no tempo e seus paradoxos. Porém, ela nem se aprofundou nesse assunto (ficção cientifica) e nem levou o livro para uma área mais ampla envolvendo a sociedade (distopia). Teve alguns tiros a longa distancias, talvez em uma tentativa de levar ação, mas nada aconteceu.

O tempo todo estava torcendo pela Em e pelo Finn, torcendo de lá e sentindo pena pelos adolescentes-do-presente, o que se você ler o livro é algo contraditório. Mas, Todos os Nossos Ontens consegue fazer o leitor criar expectativas (e eu realmente estava esperando toda a coisa da sinopse acontecer), e o que me fez querer chegar ao fim do livro foi apenas o suspense. É isso. Se você procura um livro onde a garota ama e não é correspondida e um pouco de suspense, vai fundo. Se quer guerra, correria, revolução e muita ação e distopia clica aqui.

Fiz uma resenha desse livro um pouco mais profunda e SEM spoiler, falando da narrativa, proposta e outros detalhes. Se essa ainda te deixou com algumas duvidas vem ler essa qui.

Título Original: All Our Yesterdays
Autora: Cristin Terrill
Editora: Novo Conceito
Páginas: 352
Ano: 2015
ISBN-10: 8581637981
Classificação: 3.5











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